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domingo, 30 de novembro de 2014

Quem somos nós no mundo?

Foto/registro do encerramento das atividades
Helder Ronan de Souza Mourão. Jornalista. Atualmente cursa o mestrado em Ciências da Comunicação na Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Essas credenciais me possibilitaram chegar a Vila de Paricatuba/AM nos dias de 30 e 31 de outubro para ministrar um curso de fotografia para alunos da educação básica.
Fui convidado pela professora Dra Ítala Clay, que coordena o Programa de Educação Tutorial (PET) dos cursos de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo e Relações Públicas, da Ufam. Chegamos todos a Vila com um planejamento de atividades bem detalhado e uma proposta de curso baseada em nossas experiências e preferências.
Ao conhecer a turma para quem ministrei o curso, percebi de fato a realidade na qual estava situado; percebi o desafio que teria durante os dois dias, pela manhã e tarde; e por fim, percebi que não minhas credenciais perderam o valor naquele momento.
Eis que surgiu o questionamento: quem somos nós no mundo?
Naquele momento eu praticamente deixei de ser alguém que já existiu. Aquele era outro mundo, uma realidade "alternativa" dentro do nosso mundo, tal qual nosso subconsciente - uma parte esquecida, mas que é um pedaço de nós.
Para os alunos dos primeiros ciclos (na época que estudava era chamado primário) eu era o professor. A maioria nem sabe o que é um mestrado. Boa parte não sabe o que faz um jornalista - o que de fato não acrescenta nada para a realidade atual deles.
Acanhados, ao começar o curso poucos falavam. Diziam não conhecer muito coisa de fotografia, celulares ou Smartphones. Mas a saída para tirar fotos mudou tudo. Os que não dominavam um celular ainda, aprenderam com uma rapidez e facilidade tamanha, que mal pude perceber quando eles tinham passado do estágio de "acanhados" para jovens fotógrafos.
Mas em fim. Eu tive reaprender a me tornar alguém naquele momento. Junto das crianças eu tive que desenvolver um processo que me adequasse a eles - e não o contrário - para poder executar minhas atividades.
A cada foto uma explicação. Aquelas crianças dominavam com adultos a história, memória e importância da Vila. Inclusive os fatos mais pesados, tristes e mórbidos, que de praxe nossa sociedade cria e mantém.
Pedra do Coração - Localizada na Praia da Vila

 Naqueles dois dias eu deixei de ser jornalista. Não era mais aluno de mestrado. Pelo menos isso não importava e não fazia sentido nenhum ali. Como professor, como um amigo, eu pude ensinar algo aquelas crianças.
O primeiro dia foi difícil. Não nos conhecíamos. O diálogo foi difícil, não havia comunicação! No segundo dia veio a surpresa. Eles estavam animados. Queriam saber das atividades que fariam e das fizeram no dia anterior. Havia confiança, um elo, comunicação. Houve um interação qualitativa.

A humildade é proporcional a alegria.
No segundo dia eu era alguém NAQUELE mundo. Sabíamos os nomes uns dos outros. Eles sentiram a falta da monitora que acompanhou as atividades no primeiro dia, Andriele Oliveira (minha colega de mestrado). Conversavam e se entendiam com a outra monitora, Thaís Bentes (aluna de Relações Públicas).

Dois tempos de uma mesma história
Por fim, a questão é que não podemos ver o mundo apenas com nossos olhos. Precisamos vê-lo (e nos ver) com os olhos dos outros. Eu estava no espaço deles, nas regras deles; eu me senti um deles - fui considerado um deles. Quem sou eu no mundo? Não sei. É muito cedo pra dizer e há muitas pessoas pra responderem isso.
A experiência da atividade na Vila de Paricatuba me marcou, com toda certeza. Foi igualmente proveitosa para os demais que estiveram ali. Por fim, como estamos na Amazônia e somos bons amazônidas, um banho de rio para acalmar, relaxar e deixar na memória.
Vila de Paricatuba, até a próxima, se houve...

Fotos: Equipe memória do Petcom; Alunos da Vila de Paricatuba.


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Quando jornalismo vira filme



É difícil encontrar alguém que não goste de cinema. A maioria não apenas assiste aos filmes, mas chora, ri e até fica com raiva de certas situações. Muitos discutem com os amigos sobre cenas e acontecimentos, bem como falam como preferiam o final ou sobre a qualidade de seus filmes preferidos. Certas discussões são acirradas e pagam fogo, mas é nesse momento que alguém vem e fala – “Calma cara! É só um filme”... Mas e se não fosse?
Toda essa minha enrolação é pra falar de um tipo de filme que tem tido cada vez mais sucesso no público e aceite por roteiristas, produtores e diretores. Não. Não estou falando de “baseados em fatos reais”. Refiro-me a filmes cujo conteúdo foi adquirido por meio de um processo de pesquisa reconhecidamente confiável e preciso. São as adaptações de livrosreportagens.
Primeiro. Pra quem não conhece o termo, adaptação é o processo de pegar uma obra já existente e transformá-la, adaptá-la para outro meio. Muitas obras da literatura brasileira foram adaptadas para o cinema, tais como Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis ou Vidas Secas de Graciliano Ramos. Os filmes de super-heróis são adaptações do quadrinho para o cinema, e por aí vai, da literatura ao teatro; do quadrinho à crônica.
A questão é: todas essas obras são frutos da ficção, facilmente transformadas para o cinema. É aqui que entra o livroreportagem. Quando trabalhos de pesquisa jornalística, reportagens diárias, semanais, mensais ou de muitos anos são compiladas em forma de livro, temos o livroreportagem, uma obra de pesquisa jornalística que retrata a realidade por meio do que se vê, ouve e sente, seja pelo repórter ou suas fontes.
Nos últimos dois anos me detive em uma pesquisa que percebeu o alto número de livrosreportagens que foram adaptados para o cinema. Só para citar alguns, temos “Mauá, Empresário do império” (1995) de Jorge Caldeira, adaptado em 1999 por Sérgio Rezende com o nome de “Mauá: empresário do império”. Ruy Castro escreveu “Estrela Solitária – Um Brasileiro Chamado Garrincha” (1995) que foi adaptado para o cinema em 2003, pelo diretor Milton Alencar, com o nome de “Garrincha – estrela solitária”. Fora do Brasil “Na Natureza Selvagem” (1996), adaptado em 2007 por Sean Penn e “No Ar Rarefeito: um Relato da Tragédia no Everest” (1997) foi adaptado pelo diretor Robert Markowitz no mesmo ano com o nome de “Morte no Everest”, ambos do jornalista Jon Krakauer.
O interessante de assistir a esses filmes é o fato de serem histórias reais, mas tão impressionantes que muitas vezes não acreditamos no que assistimos. Histórias incríveis como a de Olga, cuja biografia jornalística foi escrita por Fernando Morais e a adaptação foi feita por Jayme Monjardim ou a do médium mineiro Chico Xavier, biografado pelo jornalista Marcel Souto Maior e filmado por Daniel Filho. São histórias que ouvimos falar e que poderia ter acontecido com algum conhecido ou mesmo com cada um de nós.
No mais, além de ressaltar a importância que o cinema esta dando para os fatos jornalísticos, lembro que nesses casos não podemos supor um final diferente, pois tudo aquilo aconteceu.

sábado, 7 de setembro de 2013

Parece que chove invisível,
Pra desbotar a realidade.
Torná-la preto e branco.

Desce em forma de luz.
Como Ragnarok vai despedaçando
Corações e mentes,
Força e poder.

Ecoa como um som estridente,
Angustiante. Mais forte que o tempo?
Quem escolhe os que vão morrer?

Escolhe e leva,
Alegria que se traz
Na forma de morte,
Diriam: Sorte.

A caminho do tímido infinito
Guardado pelo medo,
Ecoa último grito,
Caminha estridente...monocromo...azedo...

02:57
03:24
07/09/2013

terça-feira, 9 de julho de 2013

Longe de...ser humano

Produzo riqueza ficando pobre.
Faço-o em troca de migalhas do "nobre".

Mudo o mundo e o patrão me muda.
Faço e não percebo,
Só vejo darem pra minha vida um placebo.

Produzo em excedente...sociedade demente.
Faço dinheiro invisível e indivisível,

Pago religiosamente aquele que sustento
Mesmo esvaindo-me de alento,
Faço dele sedento pelo capital sem sentimento.

Crio forças pra ajudar
Em oito horas diárias
O mundo se acabar.

Eu sou força de trabalho,
Peão, mulher, criança operário.
Sou ninguém e todo mundo,
Trabalhador moribundo.

Alma limpa e pé imundo,
No onirismo profundo
Da alienação de cada dia,
No trabalho, na escola
E até atrás da pia.

Crio a morte pra sobreviver
E, faço por onde morrer.

Se for o germinal nascente,
Continuo decadente,
Trocado como dente,
Um adubo sem semente...

02:50
03:07
09/07/2013

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Definição de um Minuto

Definição de um Minuto
(Dogma do Pericárdio) 
Por: Leon Bravo
Queria descobrir como são seus mundos
Não conseguiria respirar nesses segundos
É mentira travestida de alguma verdade
Uns chamam de loucura mas é a realidade
Insanidade quando você tenta se inspirar
Mas a inspiração te reduz a ponto de pirar.

Você sente a noradrenalina latejar em sina
Ensina como faz a forma próxima da divina
Não haverá desculpa por mentira e loucura
A vítima sofre da lâmina que assim perfura
Ninguém sente senão aquele que se feriu
Todos somem daquilo que nunca se pediu.

E você pensa que tudo na vida é uma droga
Quando o que se queria é ser parte de écloga
Numa vibração tão distante da que se viveu
Agora se renasce do tudo que já se morreu
No intervalo de uma respiração tão taciturna
Que metade de um minuto faz visão noturna.

A conversa sobre o perdimento é interessante
Um pacto diante da chuva e o medo adiante
Destrói todo o edifício criado por sentimento
É um criado-mudo calado por todo momento
Uma testemunha de tudo de ruim que ocorre
Salva teu silêncio, engole o mal que percorre.

Vive-se uma realidade subserviente para mim
Diante do próximo silêncio que será um fim
Podendo durar um minuto, segundo, um ano
O para sempre para mim é extensão do dano
São as asas que eu perco para voar para perto
Nas miragens que eu caio para tornar incerto.

As melodias se perdem e se agradam na mente
Elas se aceitam, não se rejeitam e a aura sente
Se perdem na distância orbital dos horizontes
E se dissolvem quando discordam das fontes
São infernos e paraísos cobertos de miasmas
Divagando devagar a procissão dos fantasmas.

Quando as coisas se confundem entre o céu
Onde você não sabe se é metafórico ou se léu
A perdição que se deságua no elo da garganta
É a boca que esbraveja a alma que te adianta
A incerteza que um vulcão encontra a existência
Desafiando os sonhos e sua própria consciência.

Nessas horas o certo se torna o errado e o nada
Não vivo à toa do lado duma garrafa repousada
Esperando que o silêncio não dissolva a escuridão
Ou que me devolva a ignorância e a escravidão
Tal certeza me comove, me destrona e destrói
Nada nesta alma funciona. Ela não se reconstrói.

E analisando o mundo sobre a ótica de um verme
Destruo as roupas, a carne até a própria epiderme
Vive-se um destino e um desatino até a retratação
É um caminho vizinho a solidão e da sua retração
Até compreender que acabaram todos os segundos
E destruímos todos aqueles descobertos mundos.
Por: Leon Bravo. Um dos meus poetas preferidos, do qual orgulho em ter como amigo.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Arch Enemy - Nemesis

Arch Enemy - Nemesis

We walk this earth
With fire in our hands
Eye for an eye
We are nemesis

We are with you
Countless vicious souls
Fight, fighter for freedom
United, we stand?
We stand

We are legion
Voice of anarchy
This is revolution
Creating new disorder

We are enemy
Opponent of the system
Crushing hypocrisy
Slaying the philistine

One for all
All for one
We are strong
We are one

One for all
All for one
We are one
Nemesis

A malicious fever burns
In our heart, in our veins
Your blood, my blood
All blood runs the same...
The same

One for all
All for one
We are strong
We are one

One for all
All for one
We are one
Nemesis

Castigo Merecido

Nós andamos por esta terra
Com fogo em nossas mãos
Olho por olho
Nós somos Nêmesis

Nós estamos com você
Inúmeras almas viciadas
Luta, lutando por liberdade
Unidos, nós estamos...
nós estamos

Nós somos uma legião
Voz da anarquia
Isto é revolução
Criando nova desordem

Nós somos o inimigo
Dividido do sistema
Esmagando a hipocrisia
Matando o filisteu

Um por todos
Todos por um
Nós somos fortes
Nós somos um

Um por todos
Todos por um
Nós somos fortes
Nêmesis

Uma febre maliciosa queima
Em nosso coração, em nossas veias
seu sangue, meu sangue
Nosso sangue, é tudo o mesmo
O Mesmo

Um por todos
Todos por um
Nós somos fortes
Nós somos um

Um por todos
Todos por um
Nós somos fortes
Nêmesis

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Provérbio Nativo Americano

Quando o sangue
nas tuas veias
regressar ao mar,

e a rocha
nos teu ossos
regressas ao solo

talvez então
te lembres
que esta terra
não te pertence,

és tu quem pertence
a esta terra.